quarta-feira, 22 de abril de 2009

Um Corpo Ainda Resta

Na prodigiosa noite em que me deito
Em meu leito jaz uma alma morta.
À porta do cubículo se abre um capuz
Preto - é o sinal da dor em meu peito.

Antes fosse a morte em primazia
Mostrar-me a fantasia dos sonhos nostálgicos...
Ao passado me concedo uma lembrança:
Desde criança sofrer este presságio...

Assim vejo o pretérito se antepondo
Àquilo que chamam de medo febril...
O cálice da soberba fecundando em mim
A angústia fria de noites hostis.

Aguardando a vinda do sonho me deleito
Pois sei que em meu leito um corpo ainda resta
Numa aresta da cama um corpo ainda resta
Ainda que à porta se abra um capuz enegrecido.