terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Criminalidade como um Problema Cultural

A criminalidade é um problema cultural.

Constantemente nos deparamos com violência, em diversas partes do mundo, até em países onde o crime praticamente não existia, hoje ele habita as cidades sem qualquer restrição. Agora, é difícil pensarmos e adimitirmos que a criminalidade tem, em sua gênese, um caréter que advem da cultura. Pois eis que uma cidade de aproximadamente 3 milhões de habitantes se vê completamente parada, sitiada por bandidos que, livremente, saqueiam e arrastam carros, supermercados, farmácias, casas, estimulados por um governante que se nega a uma simples negociação com os policiais militares do Estado, que aderiram a uma greve para garantir seus mínimos direitos. Mas esse não é problema mor, deixemos de lado este fato e reflitemos acerca do princípio original deste agravante.

De onde vem a criminalidade do país em que vivemos? Primeiramente, deveremos deixar claro a herança portuguesa de corrupção que, lamentavel e desgraçadamente, recebemos. Não culpo por inteiro os portugueses que, pelos seus ideais de expancionismo, o qual na era das navegações foi o princípio básico, lutaram por terras novas, tendo por acaso “descoberto” o Brasil. Culpo, sinceramente, não uma nação, mas a apatia, a falta de nacionalismo, o espírito de impunidade, o não revolucionarismo de um povo, que simplesmente assiste de braços cruzados e bocas amordaçadas, todos os dias, casos absurdos de violência e corrupção. Pergunto-me incessantemente: de onde herdamos esse mal-hábito? Será que não percebemos que os corruptos desse país – não digo somente políticos corruptos, pois existem corruptos em todos os setores da sociedade – se aproveitam de tal hábito para garantirem impunidade diante de seus atos que já se tornaram comuns e já não mais absurdos? Ou será que percebemos isso, e esse nosso hábito nos permite ficarmos parados, olhando tamanho estapafúrdio de corrupção que se alastra por esse país?

Tentemos buscar uma explicação para a gravidade dos acontecimentos, sem dados científicos, apenas usando a lógica: se no passado o Brasil fosse composto de mentes honestas, talvez não tivessem deixado os escravos, recém-alforriados e sem eira nem beira, amontoarem-se em morros, miseravelmente vivendo em condições subumanas, sendo obrigados a se iniciarem no crime, furtando, assaltando, para sobreviver. E se, ao invés disso, tivessem construído habitações, centros de ensino para o investimento na educação dos ex-escravos? E se, educados, os negros trabalhassem e construissem famílias dignamente, sem precisar cometer crimes para alcançar tal intento? E se?

É tudo uma questão de interesse próprio, ganância, sendo esta não digo ser ‘natural da mente humana’, mas sabemos que é fato que ela esteve presente em muitos momentos decisivos da história e contribuiu bastante para os agravos das situações de violência em todo o mundo.

Acredito que a corrupção seja filha da ganância com o interesse próprio. Só não sei explicar porque aqui no Brasil ela aparece com uma força que se aproxima do sobrenatural.

Não nos esqueçamos do caso da cidade de 3 milhões de habitantes. Vejo uma ligação direta dos fatos mencionados acima com esse caso. Até que o interesse próprio de uma ‘autoridade’ esteja acima de qualquer interesse coletivo de um povo à margem de uma democracia teórica não sairemos da situação de caos, violência e corrupção. E se essa amizade entre corrupção, ganância e interesse próprio continuar a estabelecer laços com a nossa apatia e falta de espírito de revolução, o mundo realmente tem grandes chances de explodir em 2012, sem que me poupe dizer que o mesmo já vai tarde.

Khalil Viana, 03/01/2012.