segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Seus olhos amotinaram meu desterro de lágrimas


Seus olhos amotinaram meu desterro de lágrimas...
Triste, ao amanhecer, quedei num choro inconstante.
Fiquei sozinho, à noite, vendo o açoitar dos marginais
Na escura têmpora divina, ao som de arrepios pedantes.

Sua cor dourada mestiça absorveu a luz crepuscular
E sua tez miúda envolveu-se num mundo distante...
À ver navios me deixou e foi pro Além-mar
Derramando-se nas ondas que batiam-lhe obstante.

Foi à Beira-mar esturricar-se de água salgada
E lamber os beiços com sal impregnando-lhe,
Caminhou n'areia volátil de Iracema, à madrugada
E viu o Sol nascer tímido, espiando suas curvas.

Qual virgem dos lábios de mel em seu ledo engano:
Ao invés de doce, seus lábios estavam salgados
De tanto arrefecer seu corpo n'águas, insano
Como a sereia de ouro jogada ao léo cigano.


Khalil Fernandes.

2 comentários:

Lucas Cisne disse...

Esse título (Itinerário Literário) é teu?
Gostei. =D

Abraço!

[não vou comentar sobre a poesia: não sou um bom apreciador...]

Gilberto Barbosa disse...

"Qual virgem dos lábios de mel em seu ledo engano:
Ao invés de doce, seus lábios estavam salgados"

gostei desses versos,

mas achei a poesia em si, por demais enfadonha, talvez pelo uso de um estilo já desgastado, na minha concepção.

Apesar de não possuir a perfeição formal da métrica, a poesia se assemelha ao ideal parnasiano; muitas palavras difíceis juntas, dando a sensação de que o escritor tinha um dicionário ao lado.

Senti como se a poesia tivesse perdido a naturalidade, dando lugar a técnica.

Abraços