
Seus olhos amotinaram meu desterro de lágrimas...
Triste, ao amanhecer, quedei num choro inconstante.
Fiquei sozinho, à noite, vendo o açoitar dos marginais
Na escura têmpora divina, ao som de arrepios pedantes.
Sua cor dourada mestiça absorveu a luz crepuscular
E sua tez miúda envolveu-se num mundo distante...
À ver navios me deixou e foi pro Além-mar
Derramando-se nas ondas que batiam-lhe obstante.
Foi à Beira-mar esturricar-se de água salgada
E lamber os beiços com sal impregnando-lhe,
Caminhou n'areia volátil de Iracema, à madrugada
E viu o Sol nascer tímido, espiando suas curvas.
Qual virgem dos lábios de mel em seu ledo engano:
Ao invés de doce, seus lábios estavam salgados
De tanto arrefecer seu corpo n'águas, insano
Como a sereia de ouro jogada ao léo cigano.
Khalil Fernandes.

2 comentários:
Esse título (Itinerário Literário) é teu?
Gostei. =D
Abraço!
[não vou comentar sobre a poesia: não sou um bom apreciador...]
"Qual virgem dos lábios de mel em seu ledo engano:
Ao invés de doce, seus lábios estavam salgados"
gostei desses versos,
mas achei a poesia em si, por demais enfadonha, talvez pelo uso de um estilo já desgastado, na minha concepção.
Apesar de não possuir a perfeição formal da métrica, a poesia se assemelha ao ideal parnasiano; muitas palavras difíceis juntas, dando a sensação de que o escritor tinha um dicionário ao lado.
Senti como se a poesia tivesse perdido a naturalidade, dando lugar a técnica.
Abraços
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