segunda-feira, 29 de outubro de 2007

O Pesadelo do Homem


Encosta-me na parede e me bate!
faz-me esquecer de quem nunca serei...
espreme os meus cravos e me traz erva-mate,
tira esses óculos e me mostra o que não sei.

Abre o meu crânio e estuda o tecido,
torna-me ébrio de nojo ao ver
meu cérebro, na tua mão, arrefecido
e entope os meus vasos ao desfalecer.

Fura meu peito esquerdo com canivete!
introduz tua mão e aperta meu coração...
aperta com força pra não escapar, aperte!
e o parta ao meio pra não amarmos em vão.

Depois disso eu te agradeço...
porque não mais vou pensar com órgãos
e não mais vou te desejar, eu mereço
é vegetar pra sempre em tuas mãos.

Prodígios terei fugindo da vida,
mas não vou morrer, não quero morrer...
quero só viver sem cérebro e coração, a ferida
da vida cicatrizará quando tu padecer...

Não...não!
- 'Acorda, rapaz, vai estudar, vagabundo!'
Vou, em vão!
Foi só um sonho, devaneio do mundo.

Um comentário:

MARLO RENAN disse...

Interessante...
Gostei da métrica da poesia.

Andei atualizando.

Abraços.