terça-feira, 23 de março de 2010

Tempos outros




O impulso constante de medo e arrepio
Faz-me retroceder ao passado distante...
Remonto às cinzas das dores e me esguio
Em meio ao tempo dos tempos de antes.

Antes era tudo no claro e escuro,
O Preto no Branco era surreal desilusão... ;
Neste sumo momento me vejo em cima do muro,
E ao tempo pretérito não mais volto em vão...

A doce lembrança nostálgica da esperança
Mata a vingança do ódio e do rancor...
Que noutros tempos me fazia tal qual criança
Que em sonho de ouro ainda crê no amor.

À meia-noite o mundo já não é tão feio,
Creio que tão perfeito o era a tempos outros;
Outros tempos...ah! agora serão vindouros...
No entanto me vou sem pensar em qualquer receio.

Feliz daquele que acredita sem vê;
Feliz daquele que esquece o que viu;
Feliz é aquele que em si próprio crê;
Feliz é aquele que na multidão - ninguém viu.

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