Tão logo o Sol da tarde banhar
E o chão sedento de água assolar
O seco Sertão, no espaço do céu
Voa um xexéu, desbravando o luar.
Sem sombra de dúvidas o cheiro
De terra esturricada o homem sente
E mente para si mesmo, inocente,
Que o próximo ano choverá por inteiro.
Março feroz, desfarça-se em algoz
Do homem do mato, que matando a sede,
Deitado na rede, pergunta: - "Quêde
As águas de Março desse Jobim atroz?"
O gado morrendo, traçando o destino
Desse nordestino, guerreiro valente,
Que sente a chuva chegando, desde menino
Naquele sertão selvagem de gente carente,
Mas que é vivente das graças de um Deus trino.
quinta-feira, 2 de maio de 2013
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