terça-feira, 28 de janeiro de 2014
Em Cima do Muro
Gaguejo quando o frio vento me espeta
Traço diversos planos e metas
Mas, como de costume, pestanejo.
Me vejo em cima do muro
Esmurro a parede por conseguinte
Minha voz esboça num sussurro
A dor do meu requinte.
Sempre no muro em cima
Fico quando algo me é pedido
Não me falta clima
Para desiludir o amor perdido.
E quando não mais me resta opção
Corro covardemente contra o tempo
E me esquivo da obstinação
Me dedicando a um passatempo.
quinta-feira, 2 de maio de 2013
Sina Sertaneja
E o chão sedento de água assolar
O seco Sertão, no espaço do céu
Voa um xexéu, desbravando o luar.
Sem sombra de dúvidas o cheiro
De terra esturricada o homem sente
E mente para si mesmo, inocente,
Que o próximo ano choverá por inteiro.
Março feroz, desfarça-se em algoz
Do homem do mato, que matando a sede,
Deitado na rede, pergunta: - "Quêde
As águas de Março desse Jobim atroz?"
O gado morrendo, traçando o destino
Desse nordestino, guerreiro valente,
Que sente a chuva chegando, desde menino
Naquele sertão selvagem de gente carente,
Mas que é vivente das graças de um Deus trino.
A Máscara de Folha-de-Flandres
terça-feira, 3 de janeiro de 2012
Criminalidade como um Problema Cultural
A criminalidade é um problema cultural.
Constantemente nos deparamos com violência, em diversas partes do mundo, até em países onde o crime praticamente não existia, hoje ele habita as cidades sem qualquer restrição. Agora, é difícil pensarmos e adimitirmos que a criminalidade tem, em sua gênese, um caréter que advem da cultura. Pois eis que uma cidade de aproximadamente 3 milhões de habitantes se vê completamente parada, sitiada por bandidos que, livremente, saqueiam e arrastam carros, supermercados, farmácias, casas, estimulados por um governante que se nega a uma simples negociação com os policiais militares do Estado, que aderiram a uma greve para garantir seus mínimos direitos. Mas esse não é problema mor, deixemos de lado este fato e reflitemos acerca do princípio original deste agravante.
De onde vem a criminalidade do país em que vivemos? Primeiramente, deveremos deixar claro a herança portuguesa de corrupção que, lamentavel e desgraçadamente, recebemos. Não culpo por inteiro os portugueses que, pelos seus ideais de expancionismo, o qual na era das navegações foi o princípio básico, lutaram por terras novas, tendo por acaso “descoberto” o Brasil. Culpo, sinceramente, não uma nação, mas a apatia, a falta de nacionalismo, o espírito de impunidade, o não revolucionarismo de um povo, que simplesmente assiste de braços cruzados e bocas amordaçadas, todos os dias, casos absurdos de violência e corrupção. Pergunto-me incessantemente: de onde herdamos esse mal-hábito? Será que não percebemos que os corruptos desse país – não digo somente políticos corruptos, pois existem corruptos em todos os setores da sociedade – se aproveitam de tal hábito para garantirem impunidade diante de seus atos que já se tornaram comuns e já não mais absurdos? Ou será que percebemos isso, e esse nosso hábito nos permite ficarmos parados, olhando tamanho estapafúrdio de corrupção que se alastra por esse país?
Tentemos buscar uma explicação para a gravidade dos acontecimentos, sem dados científicos, apenas usando a lógica: se no passado o Brasil fosse composto de mentes honestas, talvez não tivessem deixado os escravos, recém-alforriados e sem eira nem beira, amontoarem-se em morros, miseravelmente vivendo em condições subumanas, sendo obrigados a se iniciarem no crime, furtando, assaltando, para sobreviver. E se, ao invés disso, tivessem construído habitações, centros de ensino para o investimento na educação dos ex-escravos? E se, educados, os negros trabalhassem e construissem famílias dignamente, sem precisar cometer crimes para alcançar tal intento? E se?
É tudo uma questão de interesse próprio, ganância, sendo esta não digo ser ‘natural da mente humana’, mas sabemos que é fato que ela esteve presente em muitos momentos decisivos da história e contribuiu bastante para os agravos das situações de violência em todo o mundo.
Acredito que a corrupção seja filha da ganância com o interesse próprio. Só não sei explicar porque aqui no Brasil ela aparece com uma força que se aproxima do sobrenatural.
Não nos esqueçamos do caso da cidade de 3 milhões de habitantes. Vejo uma ligação direta dos fatos mencionados acima com esse caso. Até que o interesse próprio de uma ‘autoridade’ esteja acima de qualquer interesse coletivo de um povo à margem de uma democracia teórica não sairemos da situação de caos, violência e corrupção. E se essa amizade entre corrupção, ganância e interesse próprio continuar a estabelecer laços com a nossa apatia e falta de espírito de revolução, o mundo realmente tem grandes chances de explodir em 2012, sem que me poupe dizer que o mesmo já vai tarde.
Khalil Viana, 03/01/2012.
sábado, 13 de agosto de 2011
Eu, simplesmente, Lia
A madrugada me banhava com o seio da lua
E a solidão me arrebatava ao som do sarau
De músicas vadias e de uma moral nua.
Mas eis que me surge um livro pungente
E na solidão da noite me deito em suas linhas
E me sacio com as palavras que me tocam a mente
De maneira tal que meus passos ele advinha.
Advinha este livro de um tempo vindouro
Tempo de fartura e muitos ventos bons...
Ventos de renovação, sorte, a era de ouro
Onde a música da vida me soa outros tons.
Eu lia aquele livro voraz e ansiosamente
E lia sabendo que era algo de muita valia
Pois lia e percebia que tudo passava a ser diferente
Quando suas páginas eu, simplesmente, Lia.
sexta-feira, 4 de junho de 2010
O Cachimbo
terça-feira, 23 de março de 2010
Tempos outros
Faz-me retroceder ao passado distante...
Remonto às cinzas das dores e me esguio
Em meio ao tempo dos tempos de antes.
Antes era tudo no claro e escuro,
O Preto no Branco era surreal desilusão... ;
Neste sumo momento me vejo em cima do muro,
E ao tempo pretérito não mais volto em vão...
A doce lembrança nostálgica da esperança
Mata a vingança do ódio e do rancor...
Que noutros tempos me fazia tal qual criança
Que em sonho de ouro ainda crê no amor.
À meia-noite o mundo já não é tão feio,
Creio que tão perfeito o era a tempos outros;
Outros tempos...ah! agora serão vindouros...
No entanto me vou sem pensar em qualquer receio.
Feliz daquele que acredita sem vê;
Feliz daquele que esquece o que viu;
Feliz é aquele que em si próprio crê;
Feliz é aquele que na multidão - ninguém viu.
